Docker - redes e volumes na prática
1. Retomando: de imagens bem construídas a containers que conversam entre si Os artigos anteriores desta série cobriram como criar imagens eficientes e rodar containers isolados. Mas uma aplicação real raramente é um único container: normalmente há uma API, um banco de dados, um cache, talvez uma fila de mensagens — cada um em seu próprio container, precisando se comunicar. E containers, por padrão, são efêmeros: qualquer dado escrito dentro deles some quando são removidos. Este artigo cobre as duas peças que resolvem isso: redes (comunicação entre containers) e volumes (persistência de dados). 2. O problema do isolamento de rede por padrão Cada container recebe seu próprio namespace de rede, isolado dos demais e do host. Isso é uma característica de segurança, não um bug — mas significa que dois containers rodados de forma independente não conseguem se encontrar automaticamente: docker run -d --name api minha-api docker run -d --name banco postgres De dentro do container api , tentar acessar banco por esse nome simplesmente falha — cada container, isolado, só enxerga localhost como a si mesmo. A solução do Docker para isso é criar uma rede e conectar ambos os containers a ela. 3. Redes definidas pelo usuário (User-Defined Networks) docker network create minha-rede docker run -d --name banco --network minha-rede postgres docker run -d --name api --network minha-rede minha-api A partir daqui, dentro do container api , o hostname banco resolve automaticamente para o IP do container banco — o Docker roda um DNS interno para qualquer rede definida pelo usuário, resolvendo containers pelo nome (ou pelo alias definido com --network-alias , se houver mais de um). Isso é o motivo pelo qual strings de conexão em aplicações containerizadas costumam usar o nome do serviço em vez de um IP fixo: DATABASE_URL = postgresql :// usuario : senha @ banco : 5432 / meudb Comandos úteis para inspecionar redes: docker network ls # lista todas as redes docker network inspect minha-rede # d